UNALEGIS - União dos Analistas Legislativos da Câmara dos Deputados

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Carta aberta aos analistas legistativos
Presidente da Unalegis conclama servidores a unirem forças para a construção de uma agenda positiva da entidade.
02/08/19 00:37 Fonte: Assessoria

UNALEGIS – União dos Analistas Legislativos da Câmara dos Deputados
“AS INSTITUIÇÕES REPRESENTATIVAS SÃO OS PRÓPRIOS REPRESENTADOS”

Brasília, 31 de julho de 2019.

Aos analistas legislativos,

Acredito na importância dos Sindicatos (em termos gerais), especialmente quanto às lutas para o fortalecimento de uma classe de trabalhadores que presta serviços públicos úteis e necessários ao progresso de uma nação.

É evidente que algumas gestões, ou gestores, sindicalistas, precisam mudar sua visão e sua forma de participação na vida dos filiados, assim como dos não filiados, haja vista que tem como missão defender e “combater o bom combate” por toda a categoria profissional.

Também, não podemos deixar de lado o fato de que grande parte das perdas e prejuízos das condições de trabalho de uma categoria está intimamente ligada à falta de envolvimento e engajamento dos associados, que, por descaso, descrença, desconhecimento, despreparo, egoísmo, medo, preguiça, ou falta de tempo - seja lá qual for a desculpa - conduz sua vida profissional de maneira totalmente independente dos grupos que os cercam, mergulhados numa bolha “narcisista” da intelectualidade.

Por horas, sou recepcionado por servidores com discursos de sapiência nas soluções de problemas do Brasil ou do funcionalismo público, mas são todos lançados aos ventos, como se fosse uma sessão de terapia ou psicologia para aquele que está falando. Frases, jargões e raciocínios lógicos são explicitados nos mínimos detalhes, por meio de articulações verbais envoltas de ódio, decepção, ressentimento, desilusão, “sem cortar fumaça” de maneira que impede um diálogo equilibrado e saudável entre bons interlocutores, reportando mais a um monólogo teatral.

É notória a dificuldade de se realizar reuniões entre os próprios servidores ou entre esses e os dirigentes dos órgãos específicos para tratar de problemas relativos à categoria. O baixo quórum nas sessões das entidades é elemento que dificulta a recepção do pleito e os reais potenciais danosos. Entretanto, o que mais prejudica um grupo é a mentalidade - “deixa que alguém resolve” - e não - “eu quero fazer parte desta mudança de forma ativa e participativa”.

Quando consideramos algo importante em nossas vidas, nos dedicamos a ele e investimos recursos e tempo para seu desenvolvimento, bem como para solucionar problemas. É válido que tenhamos o direito de dar vozes aos nossos desejos, anseios, angustias, ideias, sugestões, com emoção e veemência, não esquecendo a urbanidade, mas sobremaneira permitindo que outros também tenham essa oportunidade de desabafo.

Aqui deixo o convite à reflexão: “o quanto você acha ser digno de consideração o fato de exercer funções públicas como servidor na Câmara dos Deputados? Acrescenta-se mais uma ponderação: “temos mesmo que achar um culpado para tudo que nos desagrada quanto ao tema servidor público, ou, ao contrário disso, deveríamos nos colocar à disposição do trabalho individual e coletivo de reconstrução ou modernização dos serviços públicos e, por conseguinte, da nossa carreira na Câmara dos Deputados?”.

Por outro lado, o que se percebe como “busílis da questão”, ou seja, o cerne de toda a controvérsia, é esse estado de amedrontamento e de apatia dos atores envolvidos, servidores, que não enfrentam, face a face, o fato de que o mundo está mudando em maneira extremamente veloz, o que imprime de imediato uma transformação de cultura, de comportamento e de valor.

Não adianta sentar e gritar: “socorro, socorro, salve-me”. Precisa-se retomar e avançar na busca dos meios e condições de sairmos das dificuldades e caminharmos na direção do bem, da verdade, da entrega de produtos e serviços de qualidade, sem desesperos, mas atento a nós mesmos. Vitimização é um termo muito recorrente nos dias de hoje, como um processo de autoflagelação onde todos são culpados, menos a própria pessoa.

 Para equalizar a falta de sinergia das entidades representativas com a apatia dos representados, esses últimos enfáticos em suas reclamações e desânimos, pensam, erroneamente, que são meros observadores dos fatos e não objetos do descrédito e das agressões.

Outrossim, somos arrastados para a reflexão de que não se avança numa democracia forte sem que seus trabalhadores apliquem e desenvolvam os sentimentos e germes da solidariedade, da cooperação, do compartilhamento, do engajamento nas questões coletivas. É necessário e sem demora, urge-se, que nos levantemos para caminharmos olhando para além da neblina, em direção a dias de glória advindos como frutos do nosso esforço aqui e agora.

Cada um de nós – cidadão, trabalhador, servidor público - precisamos aprofundar no processo de conscientização de que sozinhos chegaremos a algum lugar bom, na teoria do vencedor individual, contudo não será tão esplendido e maravilhoso quanto aquele que chegaremos caso tenhamos a coragem de enfrentar os desafios que batem em nossas portas de forma unida, superando nossas imperfeições como seres humanos e edificando um mundo melhor. A velha frase tão prolatada: “união faz a força” – não perde sua majestade. Contudo, a supracitada força surge de dentro de cada um de nós para se expandir mundo afora com coesão, coerência e inteligência.

Novos valores morais devem nos conduzir, agora em diante, para uma caminhada em fila, lado a lado, de mãos entrelaçadas, superando divergências, cedendo, sem agredir princípios, doando nossa força de trabalho, nosso tempo, nossa sabedoria, nossas habilidades e capacidades, no afã de construirmos uma carreira de servidores do legislativo que demonstra sua eficiência, produtividade e utilidade à sociedade, bem como nos encha de orgulho por fazermos parte desse movimento transformador.  

Toda a população deseja e clama por serviços públicos de qualidade em todo território brasileiro, especialmente em seus rincões mais pobres, e para isso é mister, aqui e agora, agirmos na direção da retomada da confiança e da fé pública nos serviços públicos, posto que a função precípua e fundamental é servir o cidadão de maneira a proporcionar segurança e bem-estar físico, mental e social.

Precisaremos cada dia mais - ao revés dos discursos liberais neste quesito - de escolas, de hospitais e de instituições de segurança públicas, ou seja, de servidores públicos competentes e preparados, em harmonia com aqueles advindos da iniciativa privada, pois, caso contrário, a parcela mais frágil da população brasileira sofrerá do desalento, em contrapartida à torpes da lucratividade.

Em ato sucessivo, o servidor também será atingido, como já está sendo, em sua autoestima, em sua imagem, em sua valorização remuneratória, sucateando o Estado que não caminhará para o desenvolvimento sem um setor público forte e sustentável.

Os servidores públicos estão nas fileiras ocultas do combate contra a descrença das instituições públicas e dos produtos por elas entregues à sociedade, mormente ao Poder Legislativo. Assim, a precariedade e a desvalorização dos servidores públicos implica em prejuízos diretos à população que ficará desassistida em muitos casos, especialmente em áreas não atrativas a iniciativa privada.   

Desta feita, registra-se que o servidor público precisará aprender o jogo do “ganha-ganha”[1] (alguém conhece?), em suas negociações com o Estado e os atuais governantes. É fato que os tempos duros chegaram para todos, contudo a imagem do funcionalismo público vem sendo utilizada como a principal causa dos males que ensejam em obstáculos à retomada do crescimento econômico do Brasil.  

Não podemos fechar os olhos para o fato de que precisamos modernizar o serviço público, mas isso significa que as associações e sindicatos precisam, mais do que nunca, unir forças, mobilizar os atores envolvidos, conscientizar a sua base dos princípios da solidariedade, para que as mudanças que estão por vir sejam realmente destinadas à eficiência na prestação dos serviços públicos, e não apenas em remendos pontuais para tão somente reduzir custos indiscriminadamente e em prejuízo dos servidores, na busca do chamado “pão e circo” para o povo e para os invisíveis espectadores internacional.

Por fim, deixo o convite para a ação que nasce de cada um, de dentro para fora, no momento de cada um, mas que se desenha de maneira compartilhada para que se chegue ao bem-comum.

Pelo exposto, sugiro que realizemos mais reuniões presenciais para uma efetiva participação dos analistas e construção de uma agenda positiva para a Unalegis.

André Martins
Presidente da União dos Analistas Legislativos da Câmara dos Deputados (UNALEGIS)

 

 


[1] https://destinonegocio.com/br/negocios-online/como-chegar-a-uma-negociacao-ganha-ganha/

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